A Caminhada

“Por isso não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus.  Eu o fortalecerei e o ajudarei; eu o segurarei com a minha mão direita vitoriosa.”  (Is. 41.10)

A parte dessa promessa de Deus que eu mais repeti durante nossa caminhada da aldeia para Cruzeiro do Sul foi: “Eu o segurarei”.  Essa frase veio à minha mente todas as vezes que atravessávamos um igarapé passando por uma “ponte”, que era só um galho ou tronco de árvore caída.  Não sou equilibrista, e nessa viagem eu estava com quatro meses de gravidez, e também carregando o meu filho de três anos nas costas, então tremia um pouco.  Mas Deus realmente me segurou, e eu aprendi a simplesmente colocar um pé na frente do outro e não ficar enrolando, pensando como fazer sem cair.

Nossa viagem da aldeia Marubo até Cruzeiro do Sul levou três dias.  Saímos de casa cedo de manhã e subimos o rio até o varador (caminho aberto no interior da floresta).  O nosso colega, Everaldo Brum, nos deixou lá perto cerca das onze horas, e então eu, meu marido Jevon, nossos três filhos, e nossa colega Palmira começamos a caminhar.

À tarde chegamos ao nosso alvo do primeiro dia – um lugar bom onde há tapiris (barracas de palha) para dormirmos.  Encontramos uma família indígena conhecida, que também passariam a noite ali.  As barracas eram pequenas, então Jevon e eu dormimos em uma com Isaías e na outra, ao lado, as nossas duas meninas e Palmira.  Depois de escurecer, as meninas e Palmira foram para suas redes. Balançaram um pouquinho e, de repente, um barulho e as três estavam no chão!  Um lado do tapiri que apoiava as redes caiu.  Palmira começou a rir e a minha filha mas velha, de sete anos, a reclamar: “Eu SABIA que não estava seguro! ”, mas logo se acalmou.  Um indígena da outra família foi para mata, cortou uma vara nova, e mostrou para Jevon como remontar aquele lado do tapiri.  Amarraram as redes de novo, e não demoramos a dormir.  Depois, Palmira e eu brincamos: “Ainda bem que as redes caíram, senão nossa história de viagem não teria nada de emoção. ”

Para ser bem honesta – o caminho tem as suas pontes que são, literalmente, quebra-galhos para passar, mas tem também lugares onde foram feitos tablados onde é mais fácil andar.  Tem suas árvores caídas para passar embaixo ou fazer desvio ao redor, mas também tem a sombra fresca e a majestade das árvores antigas na floresta.  Tem as suas ladeiras para subir, mas também os igarapés de água gelada para nos refrescar.

No dia seguinte, caminhamos só até uma ou duas horas da tarde, e chegamos à beira do rio maior que nos leva até Cruzeiro do Sul.  Penduramos nossas redes numa casinha às margens do rio e dormimos mais uma noite esperando pegar uma carona de voadeira pela manhã. Ao meio dia estávamos na cidade.

Na verdade, a nossa caminhada não foi nada incrível.  Se você tem duas pernas boas e precisasse fazer, faria.  Mas o que é incrível dessa hístoria é o Deus que anda conosco, em toda a vida.  É Ele quem segura os nossos pés nas pontes quebra-galhos do caminho e refrigera os nas águas dos igarapés (riachos) e as nossas almas, através de versos da Palavra dEle, que o Espirito Santo nos faz lembrar enquanto andamos.  Deus é bom.  E sempre dá para fazer o que Ele pede de nós, porque é Ele quem nos sustenta.