Aprendendo Brincando

 A etnia Kambiwá é composta atualmente por 1751 pessoas distribuídas entre 7 aldeias.

 

Santo Celegatti Neto e Célia Rossi Celegatti

André Renan dos Santos e Aldenice Maria da S. Santos

 

Aldeia do Nazário S/N – Ibimirim – PE – 56580-000

(87) 9105-1888

santoecelia@gmail.com

pr.andre.nice@hotmail.com

 

PROJETO:

“APRENDER BRINCANDO”

 

Apresentação:

A etnia Kambiwá é composta atualmente por 1751 pessoas distribuídas entre 7 aldeias: Americano (Barracão ou Retomada) com 87 pessoas, Baixa da Alexandra com 926 pessoas, Nazário com 352 pessoas, Pereiros com 267 pessoas, Poço 4 com 27 pessoas, Santa Rosa (Projeto) com 37 pessoas e Serra do Periquito com 55 pessoas. O cacique atual é Josué Pereira da Silva, mais conhecido pelo apelido de Zuca.

A reserva encontra-se a uma distância de 348 Km da cidade do Recife nos municípios de Ibimirim, Inajá e Floresta e está localizada na sub-região do Vale do Moxotó, no semi-árido pernambucano, tendo sua área territorial 31.495,31 ha, onde predomina o clima seco de estepe com chuvas irregulares, provocando constantes períodos de estiagem. Não resta, assim, alternativa aos Kambiwá se não a agricultura de subsistência. Não existem condições favoráveis para as culturas permanentes, o solo é muito arenoso e existe grande quantidade de formigas.

A escassez de água é um dos problemas para a manutenção econômica dos Kambiwá. Sua obtenção é feita através dos poucos poços existentes, cuja profundidade é sempre superior a 100 m e em alguns casos, superior a 200 m.

Os Kambiwá possuem também pequenos criatórios de caprinos, ovinos e bovinos, representativos apenas do ponto de vista da economia familiar, ou seja, não tem expressão comercial, auxiliando apenas na economia doméstica de subsistência.

Ainda que assumam os costumes e comportamento dos não-índios, conservam alguns traços da sua antiga cultura, como rituais, danças, o artesanato próprio e as figuras do cacique e do pajé. O artesanato, produzido em pequena escala, constitui-se de peças para os trajes rituais e de aiós (bolsas para caça), confeccionados com a palha do ouricuri e a fibra do caroá. O toré dançado durante as festas da comunidade reúne homens, mulheres e crianças, que conduzidos pelos mais velhos e ao som de maracás de cabaças (chocalho), entoam cânticos em português, misturados com algumas palavras do que, dizem ser, a sua antiga língua de origem, que já não existe mais.

No praiá, participam, usando as máscaras, somente homens, denominados “moços do praiá” ou “vovôs”, mas as mulheres podem participar do folguedo. Trata-se de um ritual de cunho mais reservado, durante o qual são cumpridas “obrigações”. Já o toré possui um caráter menos rígido, podendo acontecer nas mais variadas ocasiões.

Apesar de a religiosidade Kambiwá estar intimamente relacionada com o catolicismo através das novenas e celebrações dos dias santos mais tradicionais, possui momentos de completa diferenciação. O praiá e o toré têm também esta função além do próprio elemento da jurema que é uma bebida feita com uma planta típica da região.

A pobreza impera em meio a este povo e mesmo com todos os avanços ocorridos nos últimos anos, o atendimento a eles está longe do ideal, principalmente na área da saúde, o que, infelizmente não é uma exceção e sim a regra em todo o país.

As ações, principalmente do governo Federal, têm dado resultados positivos e os mais velhos quase não acreditam que estejam vivendo este momento, pois já experimentaram muitas dificuldades no passado que nem é tão distante, mas tais ações, principalmente aquelas que injetam recursos financeiros diretamente nas mãos do cidadão tais como Bolsa Família, Auxílio Maternidade e até mesmo a aposentadoria por idade, tem facilitado a aquisição de bebida alcoólica a qual é ingerida em grande quantidade pelos homens, que muitas vezes ficam agressivos em especial com as mulheres. As mulheres também fazem uso de bebida e o que é pior, os jovens, adolescentes e até crianças acabam bebendo, no começo por brincadeira, mas logo se torna uma prática. Um fator agravante é o fato de eles acreditarem que para ser “índio” tem que beber cachaça!

Os Kambiwá, assim como a maioria dos povos indígenas do Nordeste estão numa busca tresloucada por uma identidade cultural e vislumbram com base nas orientações de antropólogos a possibilidade de atingi-la apenas através da retomada das práticas culturais e religiosas de suas origens. Como eles não têm conseguido, principalmente pelo fato destas práticas terem sido perdidas através do tempo por inúmeros motivos, acabam importando práticas de outros povos indígenas e em alguns casos tais práticas já tinham sido importadas de outros povos. Chegam ao ponto de falarem o seguinte: Ah! Nós não sabemos nem inventar cultura. Nós somos índios do Paraguai. Não entendem que o fator determinante para serem índios, é nascerem índios e não o que vão fazer ou deixar de fazer.

Desde o ano de 2007 a Missão Novas Tribos do Brasil em parceria com as igrejas dos missionários, tem mantido uma equipe entre este povo. A equipe atual é composta por dois casais: Santo Celegatti Neto e Célia Rossi Celegatti, membros da Primeira Igreja Batista do Engenho do Meio, em Recife e André Renan dos Santos e Aldenice Maria da S. Santos, membros da Igreja Batista da Iputinga, também em Recife. Nossa proposta, desde o início foi de estabelecer uma amizade profunda com o povo para que, com o passar do tempo “conquistássemos” a confiança deles e cremos que temos atingido o nosso objetivo inicial, pois hoje os dois casais da equipe moram entre o povo na aldeia do Nazário e tem trânsito livre nas aldeias onde atuamos mais diretamente.

Desde o início começamos a coletar informações sobre as práticas culturais do povo, assim como aquilo em que eles acreditam neste mundo e no mundo do além. Estas informações são armazenadas em um banco de dados sobre a cultura Kambiwá. Também coletamos as palavras e expressões que são usadas pelo povo para que nós possamos usá-las no dia-a-dia com eles, mas as mesmas também acabam gerando um banco de dados com palavras e frases e um dicionário na linguagem Kambiwá que poderão ser usados por outros missionários no futuro.

Enquanto estamos entre o povo Kambiwá não podemos fugir da realidade social em que vivem. Temos, na medida do possível, desenvolvido alguns pequenos projetos e ajudas específicas tais como:

– Já distribuímos bananas quinzenalmente, em todas as casas de duas das 7 aldeias existentes. Infelizmente hoje já não temos como continuar fazendo.

– Já distribuímos muitas roupas, mas como não tínhamos o suficiente para todos isto acabou se tornando até um pequeno problema.

– No ano de 2010 conseguimos uma parceria com a Fundação Altino Ventura de Recife e foi enviada uma equipe com técnicos e uma oftalmologista e foram realizadas 192 consultas oftalmológicas e diagnosticados 11 casos de catarata, alguns já não estavam enxergando mais. Destas 11 pessoas apenas uma não fez a cirurgia, pois faleceu antes. As demais passaram pela cirurgia e voltaram a enxergar.

– Encaminhamos ao IMIP (Hospital de referência) em Recife, um bebê que nasceu com o dedo indicador crescido. Pesquisamos na internet e descobrimos que se tratava de gigantismo e recentemente este dedo dele foi amputado e ele continua sendo acompanhado por uma equipe médica do IMIP.

– No ano passado reunimos 10 homens que estavam acostumados a tirar mel de abelhas italianas (apis mellífera) que encontravam na Caatinga e demos a cada um o material para fazerem duas caixas para criação racional de abelhas. Cada um teve que fabricar, junto conosco as caixas e nós iríamos orientá-los na captura e manuseio dos enxames e a extração do mel, inclusive centrifugando o mesmo. Infelizmente fomos prejudicados pela seca que continua assolando impiedosamente esta região e as abelhas procuraram a beira do Rio São Francisco. Até mesmo as que já estavam nas caixas acabaram indo embora. Mas o projeto segue em frente e assim que chegarem as chuvas fortes que renovarão a Caatinga trazendo novamente as flores, com certeza as abelhas retornarão e nós também retomaremos o projeto inicial.

– Iniciamos, este ano, com o André, que é professor de informática, o curso de informática para os jovens Kambiwá. São 5 turmas de 4 pessoas fazendo o curso de digitação. As pessoas que atingirem média neste curso estarão automaticamente inscritas no curso básico. Depois também serão oferecidos o curso avançado e o curso de montagem e manutenção de microcomputadores.    

– Outra coisa que fazemos é acompanhar os índios nos seus trabalhos na roça fazendo cerca, limpando a terra, arrancando feijão e ajudando a bater o mesmo. Isto tem sido uma experiência maravilhosa!

– No dia da criança do ano passado distribuímos brinquedos a todas as crianças da aldeia do Nazário que é onde nós moramos e este ano fizemos novamente. Os brinquedos foram arrecadados por dois jovens que são fruto do nosso trabalho na Comunidade da Roda de Fogo em Recife enquanto moramos lá. Um deles está se formando em Direito e já foi aprovado na prova da OAB e o outro está se formando em Ciências Contábeis. Foi muito gratificante para nós, pois foi iniciativa deles. Todas as 117 crianças que foram cadastradas receberam um brinquedo e um pacote com doces. Também fizemos várias brincadeiras com elas e foi, segundo elas e as mães delas, um momento inesquecível, pois ninguém ainda tinha feito isto para elas.

 

Justificativa:

Diante da realidade das, até o momento, 117 crianças que moram na aldeia do Nazário sem ter atividades voltadas exclusivamente para elas, além de ficarem expostas a todo tipo de degradação moral, principalmente ao uso indiscriminado da bebida por homens e mulheres, vislumbramos a possibilidade de trabalharmos com elas nas manhãs de domingo com brincadeiras, esportes, artesanato e estudo da Palavra de Deus.  

Além de ser um tempo de recreação para elas, torna-se também um instrumento de inserção social e é uma das melhores saídas para que elas não se envolvam com álcool, drogas, crimes e ou prostituição. Já recebemos o aval da liderança local inclusive do cacique.

 

Objeto de Estudo:

Enquanto estivermos trabalhando com as crianças certamente surgirão situações às quais pretendemos documentar para aprofundarmos o conhecimento de todas estas questões provenientes do comportamento e conduta das crianças que vivem em situação de risco, analisando as diferenças e as dificuldades inerentes à qualquer sociedade ou comunidade com ou sem carência:

 

1-) Quais são as suas perspectivas de vida dentro ou fora da sua comunidade?

2-) O que poderá ser feito para melhorar esta perspectiva?

3-) Quem estruturará a melhoria da qualidade de vida das crianças e suas famílias?

 

Objetivo Geral:

Proporcionar às crianças, à luz da Palavra de Deus e da demonstração de amor incondicional a cada uma delas a formação adequada ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de auto-realização, afirmação pessoal, qualificação para o trabalho e preparo para o exercício da cidadania, ajudando-os a se inserir na sociedade.

Objetivos Específicos:

Dar oportunidade às crianças de aprenderem a ter um relacionamento amigável com seus coleguinhas, trabalhar em grupo, aceitar e conviver com as diferenças. Construir ou melhorar a sua auto-estima com palavras de incentivo e aceitação, além, é claro, de mostrar a elas como elas são amadas e aceitas por Deus segundo a Sua Palavra.

Metodologia:

Utilizaremos o método da construção de conhecimento onde estaremos gradativamente inserindo a criança em áreas ainda desconhecidas partindo de pontos onde a mesma já detenha algum conhecimento levando-a a dominá-las.

Trabalharemos para desenvolver nelas um senso de responsabilidade e respeito para com os mais velhos, professores, pais e principalmente entre elas.

 

Atividades:

  1. Brincadeiras.
  2. Esportes.
  3. Artesanato.
  4. Estudo da Palavra de Deus.
  5. Lanche.

 

 Local:

  1. Campo.
  2. Quadra (barracão de reuniões).
  3. Salas de aula da Escola Pedro Ferreira de Queiroz.
  4. Sala do Ponto de Cultura.
  5. Terreiros

 

Dia:

Domingo

Horário:

09h00 às 11h00

 

Faixa Etária:

             De 05 a 07 anos.

            De 08 a 12 anos.

 

Professores:  

           André e Aldenice – 05 a 07 anos.

Santo e Célia – 8 a 12 anos.

Dois professores indígenas

 

Patrocinadores:

Gostaríamos de ter condições financeiras de arcar totalmente com os custos deste projeto, mas não temos. Temos, sim, disposição e amor para nos dedicar de corpo e alma neste empreendimento.

Aproveitamos para desafiar os irmãos e/ou suas igrejas que queiram unir-se a nós neste projeto participando, não das despesas, mas sim, do investimento no Projeto Aprender Brincando. Investimento em vidas; vidas de crianças, pois não existe melhor aplicação do nosso dinheiro neste mundo, porque os resultados ultrapassam esta vida perpetuando-se na vida eterna.

Como os irmãos puderam perceber, teremos investimentos iniciais para implantarmos o projeto, mas também teremos investimentos mensais para o seu funcionamento, juntos poderemos viabilizá-lo, basta apenas que os irmãos escolham, com base nas listas acima, em que gostariam de contribuir e entrar em contato conosco.

 

Como contribuir:

1.  Depósito ou transferência bancária: Missão Novas Tribos do Brasil – Bradesco S/A, Ag. 240-2 – C/C nº 30.814-5.

 

IMPORTANTÍSSIMO: Comunicar o dia do depósito e que a oferta destina-se ao Projeto Aprender Brincando da equipe Kambiwá através de: Telefone: (62) 3318-1234; Fax: (62) 3318-2000; Correio: Caixa postal 1953 – 75040-970 – Anápolis, GO ou tesouraria@mntb.org.br.

 

2.  Depósito ou transferência bancária: Santo Celegatti Neto – Banco do Brasil, Ag. 1069-3 – Poupança nº 14.516-5.

Neste caso comunicar através de: Telefone: (87) 9105-1888; correio: Santo Celegatti Neto – Aldeia do Nazário S/N – Zona Rural – 56580-000 – Ibimirim, PE ou santoecelia@gmail.com ou santo_celegatti@mntb.org.br.  

 

Baixe aqui o projeto completo e conheça os valores investidos mensalmente.

 

Estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos.

 

Missionário Santo Celegatti Neto

Pela equipe Kambiwá