Biografia de Peter Rich – Missionário entre os Manchineri

Ocasião muito especial quando o (navio) Tribesman ancorou no porto de Belém do Pará trazendo os missionários dos Estados Unidos.  

Meus avós, Roberto e Naomi Rich, estavam a bordo desse navio e junto com eles, meu pai.  Mas meu pai apareceria apenas seis semanas depois quando minha avó desse a luz na pequena cidade de Icoraci – PA.  Eles o chamaram de Peter (Pedro).

Como a maioria dos meninos, meu pai fez muitas travessuras.  Seu mal comportamento e fracasso em completar suas tarefas escolares sempre perturbaram sua consciência infantil.  Então, um dia, depois de despertar de uma soneca, ele foi procurar sua mãe e não podia encontrar ninguém na casa.  Por terríveis minutos pensou que o arrebatamento havia ocorrido e que ele teria ficado para trás. Esse foi um ponto marcante em sua vida, quando ele começou pensar seriamente sobre sua condição diante de Deus.

Mais tarde meu pai cursou o Instituto Bíblico nos Estados Unidos, onde encontrou e casou-se com minha mãe, Teresa.  Deus usou sua experiência de ter sido criado no Amazonas para desafiá-lo a levar a Palavra de Deus aos povos indígenas.

 Em 1976 meus pais chegaram a Manaus para trabalhar com a MNTB. Eles iniciaram o seu ministério entre os Manchinere em 1978, no ano que eu nasci.

Ao chegar na aldeia Manhcineri meus pais, e seus colegas Curley e Glennschella Taylor, encontraram uma casa quase pronta, pois o casal Bill e Pérola Bruffet que iniciaram a construção, tiveram sair do trabalho por problemas de saúde.

Foi um início difícil e havia muitos dias quando meus pais queriam desistir de tudo e ir embora.  Eles se preocupavam se aprenderiam bem o idioma indígena, se algum dia eles iriam comunicar o evangelho de maneira inteligível? Mas meu pai diria para si mesmo:  “Vou ficar apenas mais  um dia”.  Invariavelmente aquele “mais um dia” se transformaria em semanas, depois meses, depois anos.

Ele se lembra que não falava nenhuma palavra e sentindo-se frustrado, fez algumas decisões que foram importantes para aproximá-los do povo. 1º – Decidiu que em todos os encontros com o povo seria honesto e transparente. 2º Decidiu que ia procurar ser servo e não patrão deles. 3º Não esperar que o povo o amasse e sim que se dedicaria a amá-los. Reconheceu que todas estas decisões são humanamente impossíveis, mas por isso tinha que recorrer à graça de Deus em suas vidas.

Logo começaram a aprender a língua, com um manchineri bilíngüe; aprenderam uma lista de 300 substantivos, depois verbos e depois disso, diálogos completos. Com persistência e muita dedicação foram aprendendo e descobrindo os elementos essenciais das frases e suas colocações, etc.

O povo passava a maior parte de cada dia na eterna procura de comida para se alimentar. Em geral os manchineri não têm medo de trabalhar e fazem o que eles têm que fazer com bastante eficiência.

Depois de estudar a língua por um ou dois anos e conhecendo melhor a cultura manchineri, começaram a dar aulas de alfabetização, prepararam cartilhas na língua indígena, livros de leitura e material de transição para o português.

Em seguida eles treinaram alguns indígenas para darem aulas. Atualmente eles mesmos dão aulas e saem para fazer cursos organizados pelos governos estaduais e recebem salários.

No início do trabalho contaram histórias do Velho Testamento e o povo gostou muito. Sentiam muito desejo em comunicar a palavra de Deus de maneira que ela pudesse ser assimilada pela fé.

Depois de algum tempo, quando podiam se comunicar melhor com o povo, eles começaram a ensinar a Palavra de Deus cronologicamente e perceberam que o povo estava se vendo diante de um Deus incorruptível e dono do universo. O alvo dos missionários foi procurar pessoas que realmente criassem um relacionamento com Cristo através da fé.

Depois de pregar e repetir as lições bíblicas do cronológico, o povo começou professar uma fé verdadeira em Cristo.  A Igreja Manchinere nasceu e começou a crescer vagarosamente.  Meus pais e seus colegas, John e Tracie Morrissey, continuaram trabalhando firme para encorajar os novos crentes e prepará-los para pregar para seu próprio povo.  Eles os encorajaram a olhar para a Palavra de Deus para soluções dos seus problemas e não apenas para os missionários.  Eles enfatizaram que as coisas exteriores como um templo elegante para a igreja, roupas boas e hinos lindos não são coisas que interessam a Deus.  Ele vê cada coração e sabe seus pensamentos e motivos.

Tendo pessoas realmente crentes ajudou muito na tradução da Palavra de Deus. Alguns crentes indígenas se dispuseram a ajudar na tradução e estavam intensamente interessadas em saber exatamente o que Deus queria comunicar com eles. Meu pai começou a traduzir o primeiro livro do Novo Testamento em 1988. O Novo Testamento completo foi impresso em 2009.

Atualmente há uma igreja próspera entre os Manchinere.  Não foi um super herói quem levou os manchinere a Cristo.  Deus usou pessoas normais para fazer o Seu trabalho.  Ele vai usar os manchinere para espalhar o evangelho aos outros.  Estou certa que meu pai está feliz que ele permaneceu aquele “mais um dia”.

Jayne (Rich) Hill

Tribo Baniua/Kuripako – AM

Terceira geração de missionários trabalhando no Brasil