Biografia de Wanda Elizabeth Aren

Wanda Elizabeth Aren atualmente está vivendo no Residencial Hebrom, em Anápolis – GO, local que a MNTB preparou para acolher os missionários idosos.

Wanda Elizabeth Aren nasceu na cidade de São Paulo, no dia 08 de dezembro de 1930.

A sua mãe Maria Affonso Aren havia aceitado Jesus Cristo como seu Salvador quando jovem e seu esposo Justo Aren só depois de alguns anos.

Wanda se converteu ainda bem criança e foi batizada aos doze anos de idade, através de um missionário. Anos mais tarde, foi desafiada para missões, porém como ainda estudava, sua mãe a aconselhou terminar os seus estudos. Assim ela continuou, fez o Curso Normal (magistério) no Instituto de Educação Caetano de Campos.

Após este curso sentiu a direção de Deus para fazer o Curso de Evangelista de Crianças da APEC. O mesmo lhe foi muito útil na Igreja, e anos mais tarde, também para ensinar aos indígenas.

Lecionou três anos e meio em São Paulo e Deus, o Senhor da Seara a incomodou novamente sobre a necessidade das pessoas que estão sem Cristo. Desejando obedecer ao Seu Mestre e Senhor entrou no Instituto Bíblico do Brasil, que funcionava na Igr. Cristã Evangélica Pires da Mota em São Paulo.Láconheceu o Rev. Paul Guiley, que convidou os alunos interessados pela obra indígena, para com ele iniciarem um Instituto Bíblico e ela aceitou o convite. O Rev. Guiley e seu colega de ministério, missionário Frank Lee, pediram a Wanda que escolhesse o nome para o mesmo. Ela optou pelo nome “Peniel”, que quer dizer “Face a face com Deus.” D. Maria Prado, doadora do terreno, onde funciona até hoje o Instituto Bíblico Peniel, exigiu que fosse convidada uma professora para organizar uma escola para dar às crianças da região oportunidade de estudar até a 4ª série do ensino fundamental.  Wanda foi essa professora, ela organizou a Escola Particular de Peniel e a registrou na Prefeitura de Jacutinga – MG. Devido à carência de professores Wanda orientou estudantes do I.B.Peniel em como alfabetizar.

Após cinco anos de preparo ela seguiu para o campo missionário, ao povo indígena Karajá na aldeia Macaúba, Ilha do Bananal.

Chegando em Macaúba, em janeiro de 1961, ela encontrou os missionários Thomas e Marilyn Pope, Margaret Powell e David e Grethen Fortune, missionários da SIL(Sociedade Internacional de Linguística).

Logo Wanda iniciou as aulas de alfabetização para uma classe mista de crianças karajá e sertanejas da região. Enfrentou alguns problemas culturais, mas confiou em Deus e foi vitoriosa.

Neste mesmo ano chegaram a Macaúba os missionários Melvin e Rosa Maria Royer e filhos.  Em 1963 Sr. Melvin e os novos missionários Edward e Margareth Harper, resolveram abrir um novo trabalhoem Mato Verde(hoje Luciara) e Wanda foi também. Em épocas de chuvas os karajás mudavam-se para a periferia daquela pequena cidade, na seca, como é chamado o tempo sem chuvas, voltavam a morar nas praias do Rio Araguaia, perto de Luciara – MT.Com o trabalho desta equipe alguns indígenas karajá conheceram a Cristo como seu Salvador.

Em fevereiro de 1965 Wanda ganhou uma colega, a missionária Almerinda Pereira dos Santos, que fora desafiada a trabalhar com o povo karajá, pelo PR. Rinaldo de Mattos, missionário entre os Xerente. Almerinda foi a Mato Verde (Luciara) e onde foi muito bem recebida por Wanda e a família Harper, que atuavam ali. Neste mesmo ano, em maio, Wanda e Almerinda foram trabalharem Santa Isabeldo Morro, outra aldeia karajá. O Posto Indígena estava sob a direção do antigo SPI (Serviço de Proteção ao Índio).

 Almerinda comenta: “Ai conheci melhor a Wanda, ela me ensinou várias coisas, sempre muito disposta, no trabalho, não media sacrifício, fazia a obra com muita dedicação e amor. Fiquei impressionada como amava o povo e era muito alegre. Ensinava às crianças histórias bíblicas com muita eficiência. Era ótima professora. Louvo a Deus também pela sua prontidão em repartir, é misericordiosa, dom que sem dúvida recebeu do Senhor da sua vida. Exemplo no pedir perdão, quando percebia que havia cometido alguma falta. Nunca retrocedeu, mas sempre trabalhando para ver pessoas transformadas pela Palavra de Deus.”.

O trabalho não foi fácil, elas dependiam inteiramente do Senhor. Nesta época não havia professores nem enfermeiros. Davam aulas pela manhã para crianças e adolescente num total de quatro turmas, uma saía e a outra entrava. Á tarde as duas saíam visitando as famílias levando medicamentos às pessoas que estavam com malária.

Levavam também um gravador com mensagem de salvação na língua karajá. Alguns indígenas entenderam e foram salvos por Cristo. Depois de tudo, ministravam aulas noturnas para os adultos, com isso não lhes sobrava tempo para o estudo da língua como desejavam. Foram cinco anos de muito trabalho, mas fizeram boas amizades.

Em fevereiro de 1970 Wanda e Almerinda foram para Macaúba onde atuaram como missionárias, mas em junho de1971 a Missão Novas Tribos do Brasildecidiu entregar o trabalho para outra missão, que reivindicava seu direito, por ter chegado ali primeiro, e elas ficaram em outras atividades dentro da própria MNTB.

Em 1975, foram convidadas a voltar, pois havia um projeto da FUNAI e da SIL de preparar professores bilíngües indígenas e precisavam da participação delas. A Profª da FUNAI Idelva Nadir Kern, juntamente com o missionário da SIL, David Fortune, antropólogo e tradutor do Novo Testamento para a língua karajá, reuniram pessoas de seis aldeias numa só e ali foi dado o Curso Bilíngüe de Alfabetizadores, com duração de três meses em cada etapa. Após estes estudos os alunos voltavam às suas aldeias de origem para ministrar aulas às crianças.

A Profª Idelva da FUNAI, Margaret Alford da SIL, Wanda e Almerinda iam a cada uma das seis aldeias para avaliar o aproveitamento em sala de aula, e forneciam relatórios à FUNAI. Assim continuaram até que se formou a primeira turma. A segunda turma foi até 1981 quando terminou o curso. Este programa foi muito bom para as aldeias que receberam professores da sua própria gente.

Mais tarde com o aumento da população infantil, houve necessidade de aumentar o número de alfabetizadores na aldeia Macaúba, então Wanda e Almerinda treinaram mais seis rapazes. Esse trabalho de alfabetização bilíngue correspondia até ao início da 2ª série do ensino fundamental. Em seguida era introduzido um curso de transição, onde se aprendia um pouco mais de português escrito e falado.

Em 1977, Wanda preparou um livro de Estudos Sociais para as crianças com a ajuda de um professor karajá, escrito em seu idioma e traduzido para o português, intitulado “Iny Bededyynana” que quer dizer: “Estudos Sociais”.

Quanto ao trabalho missionário em Macaúba, continua com uma equipe atuante, há vários convertidos e uma igreja em formação, graças a Deus.

Wanda Elizabeth Aren atualmente está vivendo no Residencial Hebrom, em Anápolis – GO, local que a MNTB preparou para acolher os missionários idosos. Contudo, continua pregando o Evangelho quando tem oportunidade e está escrevendo um livro histórico sobre o trabalho missionário karajá.

Almerinda Pereira dos Santos, missionária colega da Wanda por 45 anos.  Atualmente morando com ela para lhe dar apoio.