Biografia do Missionário Henrique Loewen

         A tradução do Novo Testamento em Baniwa por Sr. Henrique Loewen foi a primeira a ser impressa numa língua indígena no Brasil.

A tradução do Novo Testamento em Baniwa por Sr. Henrique Loewen foi a primeira a ser impressa numa língua indígena no Brasil. Mas, ah! As provações pelo caminho …

Henrique Loewen nasceu e foi criado no Canadá. Para sua família, ir à escola dominical era uma raridade, especialmente durante o inverno porque a igreja rural ficava muito longe. Entretanto foram bem instruídos na Bíblia. Antes mesmo de entregar seu coração a Deus ele foi desafiado para o trabalho de missões. Numa noite, enquanto assistia a um culto onde um missionário falou sobre a grande necessidade de levar Bíblias para a Rússia, seu coração foi grande mente desafiado. Decidiu que, algum dia, teria uma participação na distribuição da Bíblia às pessoas não alcançadas.

Foi, então, que Sr. Henrique e sua jovem família ingressaram na Missão Novas Tribos. Em 1952 navegaram para o Brasil no MV TRIBESMAN, um caçador de submarinos que foi convertido num navio de passageiros. O alvo deles era trabalhar com povos indígenas. Depois de muita oração e diálogo, ele e sua esposa, Elizabete, concordaram em se aventurar para o noroeste brasileiro, onde trabalhariam com o povo Baniwa no Rio Içana. Sr. Henrique se dedicou a aprender a língua Baniwa desde o início quando, junto com a sua família chegaram à aldeia chamada Seringa Ropitá.

Fazia viagens ao longo do Rio Içana onde visitava todas as aldeias das etnias Baniwa, Nyengatu e Kuripaco. Também, visitava outras tribos que moravam nos afluentes do Rio Iça na. Em todos os lugares que passava, pregava o Evangelho da salvação. Depois de oito meses de estudo da língua, passou a ensinar sem intérprete na aldeia Buiya Cachoeira. Várias pessoas se levantaram e expressaram seu desejo de ser salvos. Com a ajuda de Deus, ele entendia cada vez mais a língua e cultura do povo e o aceitaram como um deles. Logo que pôde, Sr. Henrique começou a traduzir os evangelhos, começando com Marcos.

Em 1956 anteciparam a saída para divulgação e férias a fim de ganhar o quarto filho no Canadá. Compartilharam sobre seu trabalho e suas vidas. Às vezes, comentava que se sentia culpado porque as coisas estavam indo muito bem. A família era perfeita, estavam com saúde e alegres no trabalho, enquanto tantos outros tinham problemas sérios. Depois de ter falado assim, um líder da missão disse para ele: “O seu tempo de provações virá mais cedo ou mais tarde, não o apresse.”Foi, então, que no mês de abril daquele mesmo ano o Senhor levou a Elizabete para Si e Sr. Henrique ficou viúvo com quatro filhos pequenos.

Vieram dias, noites e meses de solidão! Parecia que nada mais tinha sentido. Qual seria o seu futuro? Como poderia voltar para o Brasil com quatro filhos pequenos? Quem continuaria seu trabalho?

Deus tinha as respostas para todas estas perguntas e em agosto do mesmo ano, deu para Sr. Henrique uma nova esposa, D. Edna.

Em 1958 ele retomou ao Brasil com sua nova esposa e quatro filhos para continuar o trabalho que Deus havia lhe confiado.

No dia trinta de outubro de 1959, Carol Jane nasceu em Manaus. Era uma criança normal e saudável e no início de fevereiro voltaram para o trabalho no Rio Içana. No dia 10 de abril a pequena Carol adoeceu e no dia 16 ela fez sua última e dolorida respiração. Foi enterrada às margens do Rio Içana.

Houve muitas acusações falsas sobre o trabalho do Sr. Henrique e D. Edna, que só evoluíam até que em 1961, foram presos pelo Exército e levados para a base militar em Cucui, pela ordem do general em Manaus. As suas licenças para trabalhar com os índios foram retiradas na sede militar.

Ficaram presos em Cucui por várias semanas e interrogados antes de serem enviados para Manaus onde as interrogações continuaram. Com o passar dos anos, houve novas acusações e a prisão domiciliar continuava. Em 1963 foram liberados para voltar para a aldeia. Durante este tempo em Manaus, Sr. Henrique nunca parava de trabalhar na tradução do Novo Testamento e fazia muitas viagens para o Rio Içana. Em 1965 os Baniwa ficaram muito alegres ao receber o Novo Testamento publicado na sua própria língua.

Ao longo dos anos, Sr. Henrique continuava com o estudo da língua Nyengatu. Deus o impressionou com a necessidade de traduzir o Novo Testamento inteiro nessa língua. Eles se mudaram para a área dos Nyengatu para melhorar o seu conhecimento da língua e poder traduzir. Em 1966 foi chamado para ajudar a liderança em Manaus e Sr. Paulo Carrenho, missionário da MNTB entre com este povo, completou esta grande obra.

Sr. Henrique e D. Edna completaram seu ministério no Brasil em junho de 1985. Retomaram ao Canadá com problemas de saúde e bem desanimados. Foi lá que Deus abriu um novo ministério com a Rádio Transmundial. Até hoje transmite lições bíblicas na língua Baniwa.

O impacto completo da vida deste servo será revelado somente no céu. Os povos indígenas destas etnias no noroeste do Brasil estão lendo a Bíblia na sua própria língua, lições bíblicas, preparadas por ele, estão sendo transmitidas em duas frequências e assistidas no Brasil, como também na Colômbia e na Venezuela. Ele tem preparado as mesmas lições em forma de livros, os quais são distribuídos aos ouvintes. Graças a Deus pela capacidade que deu ao Sr. Henrique e sua esposa, D. Edna, para liderar e dedicar ao trabalho dando oportunidades para estes povos se encontrarem no céu. O seu ministério continua.

Por Rosa Otto Missionária da MNTB em Manaus – AM

Revista Confins da Terra ,– 4° Tri/2011