Cultura  Krahô – Corrida com Toras

João Lucas de Souza

A corrida com toras é parte importante da cultura krahô, tanto religiosamente quanto para diversão, onde pessoas de outras aldeias são convidadas para o evento.

O povo é dividido em duas metades: uma relacionada ao período da seca ou dia e a outra ao período da chuva ou noite. Nessa ocasião todos os índios se pintam de urucu ou jenipapo, horizontal ou verticalmente, conforme os tipos de pintura de seus devidos partidos, os quais são designados de acordo o nome que recebe ao nascer.

São vários os tipos de toras que eles usam para correr, dependendo da festa, pois existe um ritual diferente em cada ocasião. As toras são cortadas em tamanhos iguais, em geral do tronco de buriti. São colocadas em um determinado ponto de partida e uma pessoa é designada para cortá-las.

Um delas se diferencia das demais pelo peso que possui. É a tora da batata, feita do tronco do Jatobá ou de Pau Brasil, pesando geralmente mais de 100 quilos. Eles correm com esta tora apenas uma vez por ano, na cerimônia da Festa da Batata, que é um evento muito importante para a etnia krahô. É uma das festas fixas, realizada entre os meses de abril e maio, com duração de três dias. Nesse período, acontecem vários eventos da cultura como a troca de paparuto (um tipo de bolo de mandioca com carne, enrolado na folha da bananeira e assado nas pedras) com as famílias dos recém-casados e das crianças que são comprometidas pelos pais. Além disso, jogam batata nos hôxwa, os palhaços na festa, que andam em volta da aldeia, entoam músicas com o cantor, dançam e pulam em volta da fogueira, acompanhados por mulheres e homens.

Nem todos conseguem correr com a tora da batata, somente os mais fortes. Os felizardos se orgulham pelo grande feito, mas o partido que vence é o que fica realmente alegre.