Entrevista com Edward Luz sobre os 60 anos da MNTB

Em 1974 eu trabalhava em um escritório de advocacia onde recebi, por algumas horas, dois missionários da MNTB. Um deles, Rinaldo de Mattos, ficou comigo no escritório e me falou da obra missionária entre os índios causando impacto na minha vida.

Como se deu seu ingresso na obra missionária e como foi conduzido até à Missão Novas Tribos do Brasil?

Em 1974 eu trabalhava em um escritório de advocacia onde recebi, por algumas horas, dois missionários da MNTB. Um deles, Rinaldo de Mattos, ficou comigo no escritório e me falou da obra missionária entre os índios causando impacto na minha vida. Nos dias seguintes escrevi para o Instituto Bíblico Peniel e logo me vi candidato, sem nenhuma dúvida em meu coração. Deixei meu promissor emprego e entrei no treinamento da MNTB, iniciando uma jornada de fé e de experiência missionária.


Que atividades integram hoje seu trabalho missionário?

Junto com os outros membros do Conselho Geral da MNTB, coordenamos atividades para manter a nossa visão, filosofia de fé e de ministério, desde o treinamento do candidato até as atividades no campo. Como presidente, represento a MNTB perante as autoridades e outras instituições defendendo os seus interesses. Participo também como vice-presidente do DAI (Departamento de Assuntos Indígenas) da AMTB envolvidos com os assuntos indígenas em território nacional. Participo de conferências missionárias, procurando criar uma consciência direcionada para missões, tanto entre indivíduos como na Igreja enquanto instituição. Faço parte do Conselho Consultivo (composto de 12 homens) das agências missionárias que compõem a Missão Novas Tribos Internacional em todo o mundo, totalizando 33 agências missionárias com sua sede em Sanford, EUA. Anualmente nos reunimos para tratar de assuntos pertinentes a obra missionária e o seu avanço em todos os continentes.


O que é necessário para o candidato estar realmente preparado para o trabalho missionário?

A base é uma firme convicção da direção do Senhor e da obra que lhe foi confiada. Acrescenta-se um bom treinamento que prioriza uma vida de comunhão com o Senhor Jesus com ênfase no conhecimento bíblico e treinamento técnico para aquisição da cultura e da língua. Finalmente, é necessário estar disposto a sofrer por Cristo e a pagar o preço de uma vida de servo em algum lugar remoto, onde o Evangelho ainda não foi pregado. Acrescenta-se o básico de viver por fé, na inteira dependência do Senhor Jesus.


Qual é o maior ideal da MNTB como uma agência transcultural?

Ver uma Igreja Madura e Verdadeiramente indígena estabelecida em cada etnia, ou seja, uma igreja autossustentadora, autodisciplinadora, autopropagadora e autoliderada.


Na sua ótica, quais as possibilidades de o trabalho transcultural indígena expandir e se desenvolver nas próximas décadas?

É muito grande. Atualmente há uma cooperação maior entre as agências missionárias e o melhor de cada agência tem sido absorvido. Isto criou um modelo de trabalho missionário muito próximo do ideal. A expansão também se revela com a Terceira Onda; os irmãos indígenas estão se levantando para servir ao Senhor na sua etnia e ainda alcançando outras. O mundo ficou pequeno e todos os lugares são acessíveis. Quem poderia imaginar (que há) um jovem índio Matis estudando em uma universidade hoje? Mais de 50% dos indígenas são urbanos e os que estão nas aldeias têm acesso à internet, parabólica, comunicação com o mundo exterior. Isto tudo facilita a expansão e o desenvolvimento da obra transcultural. Não podemos perder este momento da história.


Quais foram os maiores desafios encontrados no decorrer dessas seis décadas?

O tamanho do território nacional e a dificuldade de alcançar as tribos em suas línguas; a logística era um grande desafio – missionários ficavam isolados e sem nenhum recurso; a falta de obreiros para preencher cada um destes lugares, e para resolver este importante aspecto foi preciso capacitar obreiros nacionais; vencer a grande oposição levantada contra a obra missionária e fazer o trabalho conhecido pela Igreja brasileira e, consequentemente, apoiar politicamente as agências missionárias; levantar sustento financeiro para os missionários brasileiros ainda tem sido um grande desafio.


Pode destacar as principais mudanças ocorridas na MNTB ao longo dos anos?

A MNTB fazia um trabalho muito isolado, separado das igrejas. Este isolamento não era proposital, mas a urgência da Obra e a particularidade deste ministério provocava este isolamento. Porém, um esforço contínuo para envolver a Igreja Brasileira neste grande projeto missionário tem sido desenvolvido, tanto de forma institucional como na orientação aos missionários. Sabemos que a obra deve ser feita com a participação de três fontes: Igreja, MNTB e o missionário. Outra evidência de mudança é o crescimento da visão para o continente africano; um pequeno projeto tem sido desenvolvido, mas há muito espaço para crescer.

 

Certamente, como presidente desta agência, você tem sonhos e uma visão projetada para o seu futuro. O que o irmão espera que aconteça nos próximos anos com a MNTB? 

A visão de futuro é alicerçada nas Escrituras, onde ver o Evangelho conhecido em todas as etnias é a nossa máxima. Espero ver uma Igreja genuinamente indígena estabelecida em cada etnia no Brasil e também participar dos desafios no continente asiático e africano. Desta forma se cumpriria o nosso moto: alcançar novas tribos até que a última seja alcançada. Os 60 anos de história nos ensinam muito; duas lições se destacam e queremos continuar praticando-as agora e no futuro: uma vida de dependência no Senhor da Seara e uma comunhão constante com o Senhor Jesus, evidenciada na prática da oração, leitura da Palavra e uma vida digna da vocação com que fomos chamados.

Missionário Edward Luz – Presidente da Missão Novas Tribos do Brasil