Nossa realidade

Henrique Dias Terena, presidente do Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas, recebe Confins da Terra durante o Congresso Nacional 2012, em Chapada dos Guimarães-MT.

CT – O CONPLEI está celebrando o Centenário da evangelização dos povos indígenas do Brasil. A vista disso, qual é o foco deste VII Encontro nacional do CONPLEI?

O foco está voltado para a continuidade da evangelização dos índios no Brasil. Ao longo da sua história, o CONPLEI temacompanhado o crescimento do Evangelho no Brasil bem como nas comunidades indígenas. Vemos um ajuntamento entre a igreja brasileira e a igreja indígena. Esse ajuntamento é a força e o motor que está empurrando esta visão.

CT – O CONPLEI tem um projeto para capacitar Tradutores Indígenas da Bíblia. Como está se desenvolvendo esse programa? 

O CONPLEI vê a tradução das Escrituras como prioridade. Na consulta sobre tradução da Bíblia em idiomas indígenas planejada pelo CONPLEI, em 2010, dezenas de irmãos indígenas vieram à consulta e nela os próprios indígenas decidiram criar uma organização que estivesse debaixo da orientação do CONPLEI e tivesse toda a condição de realizar projetos de tradução das Escrituras em suas línguas maternas. A partir dali, percebemos também que não poderíamos fazer essa tarefa sozinhos. Então juntamos as agências, buscamos parceiros e começamos o projeto de tradução das escrituras chamado TIB – Tradutores Indígenas da Bíblia. Sendo o tradutor um falante da língua, a tradução será mais rápida. Estamos no segundo módulo deste trabalho e já  vemos grandes avanços, especialmente na motivação dos nossos irmãos indígenas para tradução das Escrituras.

CT – Nós temos ouvido falar que um dos meios que o inimigo tem usado para a destruição de povos indígenas é o alcoolismo. Fale-nos sobre o programa “Festejando a Libertação”, dirigido pelo CONPLEI.

O CONPLEI pensa no Evangelho de forma integral. A Bíblia é nosso carro chefe, ela é a verdade. Ela tem que estar sempre presente. Mas também o CONPLEI olha para as necessidades indígenas de uma maneira completa, e uma delas é o alcoolismo. O projeto chamado “Festejando a Libertação” é um programa que conta com a participação de médicos, de pessoal indígena e outras organizações que nos dão suporte em várias partes do Brasil. É uma chamada para que o indígena não seja mais escravo do álcool e tenha uma vida de alegria sem a cachaça. Já temos visto bons resultados.

CT – Hoje existem estímulos do governo federal para que o brasileiro, de um modo geral, tenha acesso ao ensino superior. Que tipo de apoio o CONPLEI poderia oferecer ao jovem indígena nesse aspecto?

É óbvio que nem todo indígena vai chegar a Universidade, mas também como CONPLEI não podemos fechar os olhos a esta demanda. Na cidade grande ele enfrenta novas situações para as quais ele não está preparado, por isso o CONPLEI buscou algumas ajudas para um bom acompanhamento destes alunos. No início nós chamamos algumas famílias que aceitaram o desafio de apoiar, oferecer quartos em suas próprias casas, e que se dispuseram a mentorear aqueles alunos; logramos êxito neste sentido. Hoje também temos vários indígenas na Universidade sendo acompanhados numa casa de apoio do CONPLEI. Por exemplo, nós temos a UniEvangélica, em Anápolis, Universidade onde alunos têm o apoio de organizações ali presentes, como por exemplo, a própria Missão Novas Tribos do Brasil.

CT – Qual a visão do CONPLEI para com as lideranças existentes formadas pelas missões e para com novas lideranças que se despontam na igreja evangélica indígena?

A nossa visão é continuar esse esforço. Eu sei que há hoje, no Brasil, muitos líderes em potencial, que foram frutos de trabalhos missionários e nós queremos como CONPLEI, dar continuidade nisso. Esses líderes vão nos ajudar no discipulado, pois entendemos que a liderança do CONPLEI não é eterna e nós estamos olhando para os líderes potenciais, aos quais o CONPLEI vai ajudar, vai discipular, para que se tornem grandes líderes, debaixo da orientação de Deus.

Nota da redação: Durante o VII Encontro do CONPLEI, um irmão pôs a disposição do CONPLEI uma casa no Rio de Janeiro, livre de qualquer despesa com alimentação, luz, internet, etc, para acolher jovens indígenas dispostos a cursar uma Universidade.