Relacionamento

Estamos atuando entre o povo Apinajé desde o ano de 2000, temos visto e vivido uma experiência nova a cada dia.

É interessante pensar que, quando estamos no seminário, muitas coisas passam por nossa cabeça, inclusive coisas que achamos ser as mais corretas para um bom contato com o povo, por quem pensamos e oramos.

Fazendo uma reflexão das muitas coisas que aprendemos nos institutos, posso me lembrar de algumas lições que ficaram marcadas em minha mente e que me fazem permanecer neste propósito. Estudando sobre a matéria de Cultura no Instituto Missionário Shekinah, me recordo com muita alegria de uma frase que me desafia muito: “NUNCA PERCA DE VISTA SEUS OBJETIVOS E NEM DEIXE DE BUSCÁ-LOS COM PERSEVERANÇA:’.

Entre outras ainda, posso me lembrar de uma frase que me faz pensar no quanto eu preciso me desenvolver, que diz o seguinte: “O SUCESSO DE UM BOM MINISTÉRIO, ESTÁ CENTRALIZADO NUM BOM RELACIONAMENTO”.

Tendo passado por todo treinamento da MNTB, me dediquei ao máximo para aprender o que me foi transmitido, e assim, quando chegasse em meu objetivo, tivesse a oportunidade de desenvolver na prática.

Chegando aqui, entre o povo Apinajé, busquei logo os desafios da língua, para que pudesse melhor me comunicar com esta etnia, e assim entender sua cosmovisão. Os passos para tudo isso, estão centralizados no processo de aprendizagem de cultura e língua.

Para cumprir nossos alvos, não podemos desprezar tudo aquilo que vimos e ouvimos nos treinamentos, pois são ferramentas importantes para o nosso progresso ministerial. Por outro lado, é importante também, estar preparado para situações complicadas, que muitas vezes nos surpreendem. Hoje em dia, tenho trabalhado mais com a preparação das lições bíblicas cronologicamente ( método que usamos para ensinar a Palavra de Deus) e análise gramatical, mas no início do nosso trabalho aqui, tínhamos que montar materiais de pesquisa, para conhecer esta língua e cultura, e assim, dia a dia, eram feitas visitas nas casas dos indígenas.

Gostaria de chamar sua atenção neste momento, para uma pergunta que muito me incomodou logo no início, devido a uma experiência que passei. O QUE É RELACIONAMENTO?

Observando um pouco da cultura Apinajé, percebi que todas as tardes, os homens se reuniam debaixo de uma árvore para conversar. E assim, lá estava eu quase todos os dias com meu material de pesquisa nas mãos.

Num dia, em minha casa, preparei um material de pesquisa e fui a campo para, mais uma vez, fazer as minhas tão famosas perguntas de cultura e língua. Olhei pela janela de minha casa, e lá estavam os homens reunidos para mais um dia de prosa. Saindo de casa todo animado e muito feliz, fui em direção a eles, e quando faltava uns 10 metros para chegar ao local, um deles que estava sentado fazendo um cesto, parou o que estava fazendo olhou bem para mim e disse: “VOCÊ VAI PERGUNTAR SOBRE O QUE HOJE? É TODO DIA A MESMA COISA:’.

Naquele momento meus irmãos, imaginem como me senti, a minha cara foi até ao chão de tanta vergonha, me senti muito mal, tentei falar alguma coisa para amenizar a situação , mas nada deu certo. Peguei meu material coloquei de lado e simplesmente sentei e fiquei ouvindo as conversas.

Bem, o que aprendi com isso foi que, ter relacionamento é muito diferente de tratar alguém como fonte de pesquisa.

Para mim, relacionamento, é fazer parte de sua vida em todos os momentos, é estar presente sem cobrar nada em troca, é fazê-Io parte de sua vida, é estar em sua companhia por puro prazer e alegria, é saber que o seu próximo é antes de tudo um ser humano.

Com isso, mudei meu sistema de aprendizagem, e hoje, meu relacionamento com esta etnia tem sido muito favorável, a ponto de poder fazer parte de suas reuniões e decisões dentro da comunidade. E para você, como tem sido o seu relacionamento com aqueles que estão ao seu redor?

Agradeço a Deus por tudo o que aprendi nos institutos. Sei que me valeram muito para chegar onde estou, mas é preciso buscar a direção de Deus, orar sempre, para achar caminhos que nos levem a sermos um dentro da comunidade e não simplesmente pesquisadores. Que Deus possa nos usar da melhor maneira possível em nosso ministério.

Sejamos bênçãos nas mãos de Deus.

Pr. Alexandre Conde, membro da MNTB -Missionário membro da I’ Igreja Batista de Rudge Ramos  São Bernardo do Campo- SP . (Extraído da Revista Confins da Terra – 30 Tri/2011).