Sempre serão poucos?

Quando eu estudava no Instituto Bíblico Peniel, em 2009, comecei a trabalhar no “Programa Segurando as Cordas”, que tem por objetivo final a intercessão pelos missionários. Para tanto, obtínhamos informações dos campos para orar por estes irmãos. Eu gostava muito de trabalhar nesse Programa, porém uma indagação sempre estava em minha mente: por que tantos missionários ficam doentes? Eu também me perguntava por que tantos obreiros precisavam deixar os campos por diversos motivos, como: problemas de saúde, problemas familiares, diferenças na equipe, entre outros. E eu simplesmente não entendia a razão pela qual Deus permitia aquilo. Era óbvio que o trabalho precisava ser feito e aquelas pessoas deveriam estar saudáveis, com a família nos eixos, com um bom sustento para que a Obra fosse realizada, mas não era isso que acontecia na prática.

Anos mais tarde também comecei a ponderar sobre os motivos pelos quais a Igreja, em sua maioria, não se interessava em evangelizar ou se envolver de alguma forma com a obra missionária. Eu pensava: “Deus precisa de mais gente! Há muito trabalho a ser feito! A seara é grande!”. Durante um bom tempo convivi com esses questionamentos, contudo já faz alguns anos tenho percebido a realidade de que os pensamentos do Senhor são bem mais elevados que os meus. E o meu raciocínio “lógico” não se equipara aos planos e propósitos do Soberano.

Comecei a observar como Jesus escolheu seus discípulos. Primeiro ele escolheu doze (não é um grande número). Em seguida, comecei a reparar que eles eram pessoas cheias de defeitos, e que talvez nós não os escolhêssemos para trabalhar conosco, especialmente para uma missão tão importante que é a de fazer mais discípulos. Entretanto, foi exatamente isso que Jesus fez. O fato é que poucas pessoas, cheias de problemas e limitações, com deficiências na saúde e tantas outras dificuldades, são usadas por Deus. É assim que Ele trabalha.

“Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes.”(1 Coríntios 1:27) A realidade é que os obreiros não são a maioria nas igrejas e são pessoas incapazes de realizar o ministério sem o Senhor. Portanto, Deus é quem executa a obra. O trabalho é dele.
“Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma.” (João 15:5) A glória é dEle. O poder é dEle. Somos usados com todas as nossas imperfeições para que Ele seja glorificado.
“A ele seja o poder para todo o sempre. Amém.” (1 Pedro 5:11)
“Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.” (Romanos 11:36)
E o que nos cabe diante desta realidade? Nós oramos, nós pedimos, nós rogamos, assim como o Pai nos ordenou! E se Ele quiser, irá mandar mais trabalhadores.
“E lhes disse: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Portanto, peçam ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita.”( Lucas 10:2)
Então podemos afirmar: a seara continua sendo grande, os trabalhadores sendo poucos e a glória sendo, eternamente, dEle.

Joyce Oliveira
Joyce.gomes@mntb.org.br