Tribo Pacaas Novos

A serra dos Pacaas Novos surge imponente como um “muro de contenção” da cidade de Guajará Mirim …

 A serra dos Pacaas Novos surge imponente como um “muro de contenção” da cidade de Guajará Mirim, no extremo oeste do estado de Rondônia, às margens do Rio Mamoré, que faz divisa com a Bolívia. Atrás deste “muro de contenção” viceja uma história rica e vibrante, tão atual como vivida no século passado. O povo “Wari” são os atores desta história, assumindo o papel principal. São conhecidos pelos não Wari como Pacaas Novos, povo indígena que vive na região, com seus mais de 5.000 membros espalhados às margens dos rios e também nos arredores da serra que lhe deu o nome. A historia é rica, mas descrevo somente um pequeno capítulo vivido na recente viagem que fiz a este adorável povo.

Minha esposa, um casal de amigos e eu visitamos este trabalho para participar das Conferências Bíblicas dos Pacaas Novos em dezembro de 2011. O acesso à aldeia Lage Novo foi fácil, pois há estrada com piçarra e inclusive os moradores desfrutam de energia elétrica. As casas simples acomodavam os mais de 500 visitantes que chegaram das outras aldeias e nós, os não wari, não passávamos de dez pessoas. Todas as reuniões foram desenvolvidas na língua materna e nos valemos de tradutores para participarmos das mesmas.

O que mais chamava a atenção era o interesse pelo conhecimento bíblico e o esforço que faziam para que todos compreendessem o que era ensinado. Afirmo, com toda convicção, que poucos seminários teológicos alcançariam a profundidade daquelas discussões mesmo só dispondo de folhas xerocopiadas de algumas partes (cartas do apóstolo Paulo) do Novo Testamento que foram traduzidas pelo esforço da equipe da MNTB que ali atua há mais de quatro décadas.

Falei em três ocasiões, mas foi para responder perguntas dentro do texto preestabelecido.

Findo o encontro, depois da Ceia do Senhor, embarcamos em uma pequena lancha para visitar a aldeia Santo André, serpenteando pelo lindo e farto rio Pacaas Novos. Fomos recepcionados por um jovem cacique e seu irmão, que nos conduziram em visita turística pela pequena aldeia.

Ali vivenciamos o momento mais impactante desta viagem. Vimos um idoso assentado em um assoalho elevado do chão. Desfrutava de boa saúde embora tivesse perdido a visão. Era magérrimo e o seu longo cabelo preto se espalhava por seu esquálido ombro. O seu sorriso era largo e retribuiu carinhosamente ao meu abraço cativando-me totalmente. Fui informado de que ele era o pai do Rúbem, eminente líder e um dos pastores da igreja naquela aldeia e avô dos dois irmãos que nos ciceroneavam. Para a nossa surpresa nos conduziram à margem do rio e ali nos contaram a seguinte história: “Quando o nosso avô era jovem junto com outros guerreiros da aldeia, escondidos, vigiavam o movimento dos seringueiros que vinham em um pequeno e rústico barco e que aportariam próximo deles. Estavam dispostos ao ataque e só esperavam o momento oportuno e disto eles entendiam, pois estavam acostumados a estas pequenas guerras. Sim, havia pequenas batalhas com seringueiros bolivianos e brasileiros, que invadiam aquelas terras e, com armas de fogo, atacavam impiedosamente os indígenas. Os wari estavam sendo exterminados e, para sobreviver, precisavam atacar de surpresa porque as suas flechas não eram páreo para as espingardas”. Este era um destes momentos idênticos às guerras que lemos em nossos livros de história das civilizações. Esta pequena tribo somente se defendia e o momento oportuno chegou: Quando alguns seringueiros desembarcaram eles começaram o ataque que foi rápido e fulminante. As flechas sibilavam cortando o ar e alcançando o alvo.

Os seringueiros, pegos de surpresa, tentavam voltar para o barco e no fervor da batalha uma criança ficou do lado de fora. Um dos guerreiros Wari, jovem e aguerrido, a alcançou e a decapitou. A escaramuça durou poucos instantes, pois os seringueiros sobreviventes fugiram no barco para a outra margem e os guerreiros Wari embrenharam-se no interior da selva. Nesta mesma época o governo federal tentava contatar os Wari (Pacaas Novos) e convidou a MNTB para participar deste projeto. A tarefa não era fácil, mas foi levada a cabo pela divina providencia de nosso querido Deus. Os missionários enfim foram morar com os Wari e iniciaram o aprendizado da língua, a tradução da Bíblia, alfabetização e desenvolvimento comunitário. Enfim o povo Wari encontrou  alguém que o valorizava, respeitava e que interromperia o triste processo de extinção daquela valorosa e destemida etnia. A salvação foi integral, abrangendo a vida física e eterna. Hoje aquele ancião se alegra sabendo que o seu povo vive em paz. Ele escuta a algazarra das crianças brincando no pátio de sua bonita aldeia e cantando corinhos que glorificam ao Deus criador em sua língua materna. Nas reuniões da Igreja ele ouve, maravilhado, seu filho e netos ensinando as verdades de amor do Evangelho de Jesus. Faz muito tempo que o seu povo não precisou guerrear mais e ele agora passa os dias descansando perto do lugar onde aconteceu aquela pequena batalha, porém ainda se lembra de que era o jovem e aguerrido guerreiro daquele difícil dia.

Tribo Pacaas Novos

Edward Luz – Presidente da Missão Novas Tribos do Brasil

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